Em 23\10\2017- Segunda Feira
O que é meu, nesse mundo?
Tudo o que eu tenho, os outros me ajudaram a ganhar!
Até o asfalto onde correm as rodas do meu carro, a condução que me permite o acesso mais rápido,
o alicerce e as paredes que protegem o
meu trabalho...os professores que me introduziram no conhecimento, os autores que
me doaram suas obras , os pesquisadores e os pensadores que me revelaram suas
descobertas, os livros que eu li....
De toda essa estrutura mantenedora , apenas uma dimensão do
meu trabalho é mérito meu . Só o desempenho naquele instante, só aquilo que eu faço
de graça, mesmo eu sendo remunerada, é mérito meu.
“Mas os outros foram pagos para erguer a estrutura sóciofisica que lhe sustenta! Nada foi feito de graça!”
Sim. Mas se ganhei muito, eles ganharam, com isso, menos que eu. Todos! Peões, pedreiros, funcionários domésticos, professores,
autores, pesquisadores, pensadores. Todos os que sustentam ... todos os que
constroem as possibilidades concretas de outros ganharem muita coisa, recebem menos que eles.
Então, quando me dizem “sua casa”, como propriedade inalienável,
eu me pergunto: “o que, de fato, é meu, nesse mundo?” Eu conquistei o direito de usá-la; mas esse
direito pode passar para outro ou ser compartilhado com outro, sob
circunstâncias especiais. E nesse momento, vejo que nada é exclusivamente só nosso; pelo menos, sob o ponto de
vista do direito oriundo do contexto de
interdependência em que cada ser humano está inserido.
“Toda dor da vida\ Me ensinou essa modinha
Que, de tolo, até pensei\Que fosse minha!
(Chico Buarque-“Até Pensei”)
... (E a “dor da vida” não é só
a minha dor-MM)
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